A percepção do enfermeiro sobre a saúde mental da gestante na Atenção Básica do SUS
      1. Renata Cândido de Oliveira
      2. Valéria Conceição Passos de Carvalho
  • Resumo

O objetivo deste trabalho foi verificar a percepção e as ações do enfermeiro da assistência pré-natal sobre a saúde mental de gestantes, uma vez que a gestação é um período de transição que envolve uma necessidade de reestruturação e reajustamento nas várias dimensões da vida. Foi realizado um estudo  quantitativo, de natureza descritivo-exploratória no qual o instrumento de coleta de dados foi um questionário dirigido aos enfermeiros (n=12) da cidade de Abreu e Lima, Pernambuco. Este questionário foi constituído por perguntas sobre a opinião dos enfermeiros sobre a saúde mental das gestantes e quais as condutas por eles tomadas. Após a confecção do banco de dados, forma realizadas as freqüências simples e percentuais das variáveis avaliadas no estudo. Dos enfermeiros entrevistados, 100% acreditam que a gravidez pode determinar alterações psicológicas; 58,3% consideram alto o impacto das alterações psicológicas no percurso de uma gestação;  91,7% orientam sobre alterações emocionais; 33,3% consideram muito baixa a frequência de transtornos mentais na gestação; 75% consideram que o acompanhamento psicológico poderia auxiliar na prevenção de parto prematuro e baixo peso em bebê. Concluiu-se pela necessidade de maior atuação e integração interdisciplinar entre enfermeiros, psicólogos e médicos obstetras no acompanhamento da gestante, de forma a garantir que o pré-natal se constitua um período profícuo de promoção de saúde integral e prevenção de adoecimento mental, no ciclo gravídico puerperal, a fim de diminuir e evitar os riscos à saúde materno-infantil.

Palavras-chave: saúde mental, gestante, enfermeiro, Atenção Básica, SUS.

Abstract

The aim of this study was to investigate the perceptions and actions of the nurse of prenatal care on the mental health of pregnant women , since pregnancy is a period of transition that involves a need for restructuring and readjustment in the various dimensions of life . We conducted a quantitative study , a descriptive and exploratory in which the data collection instrument was a questionnaire to nurses ( n = 12 ) of the city of Abreu e Lima , Pernambuco . This questionnaire consisted of questions about nurses’ opinion on the mental health of pregnant women and which manage them . After preparation of the database , so made ​​simple frequencies and percentages of the variables evaluated in the study . Of the nurses surveyed , 100 % believe that pregnancy can produce psychological changes , 58.3 % consider the impact of high psychological changes in the course of a pregnancy , 91.7 % advise on emotional changes , 33.3 % consider very low frequency mental disorders in pregnancy , 75 % consider that counseling could help prevent premature birth and low weight baby. Concluded the need for higher performance and interdisciplinary integration among nurses , psychologists and obstetricians in monitoring pregnant women , to ensure that the pre -natal period to constitute fruitful comprehensive health promotion and prevention of mental illness , the cycle pregnancy and childbirth in order to reduce and avoid risks to maternal and child health .

Key words: mental health, pregnant, nursing, primary care, SUS.

Introdução

Atualmente, os transtornos mentais se constituem um problema de saúde pública. Estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que cerca de 450 milhões de pessoas sofram de algum transtorno mental, e que um em cada quatro indivíduos, será afetado por uma doença psiquiátrica em algum estágio de sua vida(1).

De acordo com dados da OMS, as mulheres são a maioria da população brasileira (50,77%) e as principais usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS). Dentro deste contexto, a literatura mostra que as mulheres apresentam maior prevalência de transtornos mentais comuns em relação aos homens, principalmente os transtornos de humor, de ansiedade, somatoformes, depressão e comorbidades psiquiátricas(2).

A gestação é um período de transição que faz parte do desenvolvimento normal do indivíduo e envolve uma necessidade de reestruturação e reajustamento nas várias dimensões da vida. Ocorre mudanças que envolvem alterações físicas, hormonais, psíquicas e de inserção social (mudança de identidade, nova definição de papéis, fatores socioeconômicos, etc.), podendo refletir na saúde mental destas mulheres. Mas este período reflete também um momento de cuidados preventivos e propício para a inserção de enfoque educativo visando a promoção de saúde, visto que a mulher está mais sensibilizada à modificação e criação de hábitos. O período gravídico-puerperal é a fase de maior incidência de transtornos psíquicos na mulher, a intensidade das alterações psíquicas dependerá de fatores familiares, conjugais, sociais, culturais e da personalidade da gestante(3). Os transtornos mentais na gravidez constituem importantes preditores de depressão pós-parto e de desfechos obstétricos adversos que podem influenciar o desenvolvimento emocional e comportamental da criança, tendo reflexos até a adolescência(2). Estudos revelam que transtornos psiquiátricos subdiagnosticados e pouco tratados em gestantes podem levar a graves conseqüências maternofetais, até mesmo durante o trabalho de parto(4). Quando não tratados aumentam o risco da gestante se expor a tabaco e álcool, ao risco de desnutrição e a dificuldade de seguir orientações médicas no pré-natal(5). O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que consolida os direitos da população infanto-juvenil, em seu artigo art 8 §4, elucida que “incumbe ao poder público proporcionar assistência psicológica à gestante e à mãe no período pré e pós-natal. Inclusive como forma de prevenir ou minorar  as consequências do estado puerperal.”(6)

Partindo destes indícios, percebe-se a necessidade de uma assistência pré-natal adequada, assegurando o desenvolvimento da gestação, abordando os aspectos psicossociais e as atividades educativas preventivas, visando a detecção e a intervenção precoce das situações de risco. Uma vez que o principal papel dos profissionais envolvidos neste atendimento é oferecer uma escuta  qualificada das necessidades dos usuários em todas as ações, transmitindo-lhes apoio e confiança, proporcionando atendimento humanizado e viabilizando o estabelecimento do vínculo mãe/bebê(7).

Neste contexto, o Programa de Saúde da Família (PSF) é concebido como uma estratégia de reorientação do modelo assistencial individual para o integralizado, com sua implantação através de equipes multiprofissionais em Unidades de Saúde da Família (USF). E tem como objetivo organizar as ações de saúde na Atenção Básica, orientadas pela integralidade do cuidado e em articulação com outros pontos de atenção. Estas equipes se propõe a realizar ações individuais e coletivas de atenção integral, de acompanhamento, promoção de saúde e prevenção de agravos, bem como oferecer uma escuta qualificada das necessidades dos usuários em todas as ações, proporcionando atendimento humanizado e viabilizando o estabelecimento do vínculo(8).

Almeida(2) afirma que estudos sobre a prevalência de transtornos mentais em grávidas e necessidade de atendimento psicológico preventivo ainda são escassos no Brasil. E aponta para a necessidade de conhecer os transtornos mentais na gravidez para colaborar para o planejamento adequado de políticas de saúde em atenção primária.  

Diante disto, o presente trabalho tem como tema “A percepção dos enfermeiros sobre a saúde mental da gestante na  Atenção Básica do SUS” e apresenta como  objetivo geral, compreender a percepção e as ações do enfermeiro da assistência pré-natal sobre a saúde mental das gestantes acompanhadas na USF da ESF. Desta forma, o estudo pretende contribuir significativamente para a principal meta da assistência pré-natal, que é prevenir alterações que possam prejudicar os vínculos entre mãe e filho(8).

 

Metodologia

Esta pesquisa foi realizada a partir da perspectiva quantitativa, de natureza descritivo-exploratória, cujo desenvolvimento deu-se em Unidades de Saúde da Família (USF) da Estratégia de Saúde da Família (ESF), em Abreu e Lima/PE.

Foram respeitados os aspectos éticos de pesquisas com seres humanos, conforme recomenda a Resolução nº. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde9 a coleta de dados ocorreu após autorização formal da Secretaria Municipal de Saúde de Abreu e Lima e o parecer de aprovação deste projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UNICAP sob o número.

A seleção da amostra dos profissionais para esta pesquisa foi intencional para a seleção da categoria profissional a ser pesquisada. A amostra foi composta por 12 enfermeiros, atuantes em parte das 26 USF’s da cidade de Abreu e Lima/PE, que responderam a questionário especialmente estruturado para o estudo, envolvendo questões relativas a conhecimentos e práticas. Os critérios de inclusão na amostra foram: participação voluntária e anônima; formação superior em enfermagem, participação de equipe de saúde da família e realização de assistência pré-natal igual ou superior a 3 meses.

O questionário individual foi elaborado pela pesquisadora constando questões semi-abertas acerca de três eixos temáticos norteadores: dados sóciodemográficos; sinais e sintomas de sofrimento psíquico; encaminhamento a atendimento psicológico e promoção da saúde mental no pré-natal.

Na análise estatística foram utilizados os Softwares SPSS 13.0 para Windows e o Excel 2007; sendo todos os testes aplicados com 95% de confiança. E os resultados estão apresentados em forma de tabela com suas respectivas frequências absoluta e relativa.

 

Resultados e Discurssão

 

A amostra desta pesquisa de campo refere-se a 12 enfermeiras lotadas em Unidades de Saúde da Família (USF) da cidade de Abreu e Lima/PE. As idades dos profissionais que compuseram a amostra variam de 24 a 47 anos, em sua maioria com mais de 30 anos (58,3%). O tempo de conclusão da formação profissional é diversificado, variando de 1 a 19 anos, sendo que 41,7% têm 5 ou mais anos de formada. Com relação à formação continuada, 75% dos entrevistados concluíram pós-graduação. Quanto ao tempo de atuação profissional na USF da rede de saúde municipal, 41,7% dos profissionais apresentaram menos de 1 ano de serviço e 33,3% mais de 5 anos de serviço – Tabela 1.

 

  • Tabela 1 – Dados Sociodemográficos dos Enfermeiros do PSF – Abreu de Lima – 2013

 

Variáveis n %
Idade
Até 30 anos 5 41,7
Mais de 30 anos 7 58,3
Instituição de formação
Funeso 4 33,4
Universo 2 16,7
Faculdade Maurício de Nassau 2 16,7
Faculdade Pernambucana de Saúde 1 8,3
UPE 1 8,3
ASCES 1 8,3
Faculdade São Miguel 1 8,3
Tempo de Formado
1 Ano 2 16,7
2 Anos 1 8,3
3 Anos 3 25,0
4 Anos 1 8,3
5 ou mais anos 5 41,7
Pós-Graduação
Com Pós-graduação 9 75,0
Sem Pós-graduação 3 25,0
Tempo de Serviço
Menos de 1 ano 5 41,7
1 a 5 anos 3 25,0
Mais de 5 anos 4 33,3

 

  • Tabela 2 – Situação Psicológicas na Gestação – Abreu de Lima – 2013

 

Variáveis n %
A gravidez pode determinar alterações psicológicas na gestante
Sim 12 100,0
Não 0 0,0
Qual o impacto das alterações psicológicas no percurso de uma gestação
Muito baixo 0 0,0
Baixo 5 41,7
Alto 7 58,3
Muito alto 0 0,0
A condição psicológica materna durante a gestação pode influenciar o desenvolvimento do feto
Sim 12 100,0
Não 0 0,0
Alterações ocorrem com mais frequência nas gestantes
Mudança no humor 10 83,3
Hipersonia 7 58,3
Náuseas e vômitos no primeiro trimestre da gestação 12 100,0
Náuseas e vômitos durante toda a gestação 1 8,3
Desejos e aversões 6 50,0
Alterações de apetite 11 91,7
Oscilações de humor 7 58,3
Aumento de sensibilidade 9 75,0
Alterações do desejo e do desempenho sexual 10 83,3
Introversão e passividade 2 16,7
Sonhos e fantasias conscientes 0 0,0
Temor de ter um filho malformado 10 83,3
Ansiedade 11 91,7
Estresse 9 75,0
Medo 10 83,3
No pré-natal costuma orientar sobre as alterações emocionais do período gestacional
Sim 11 91,7
Não 1 8,3

Conforme demostrado na Tabela 2, todos os entrevistados percebem que a gravidez pode determinar alterações psicológicas na gestante e que a condição psicológica materna pode influenciar o feto. 58,7% das enfermeiras afirmaram ser de alto impacto as alterações psicológicas da gestante no percursso de uma gestação e a maioria realiza algum tipo de orientação acerca de alterações emocionais do período gestacional (91,7%). De acordo com literatura, a gestação pode ser um fator gerador de ansiedade, tornando a mulher mais vulnerável ao desenvolvimento de perturbações emocionais(10). Estudos revelam que transtornos psiquiátricos subdiagnosticados e pouco tratados em gestantes podem levar a graves conseqüências maternofetais, até mesmo durante o trabalho de parto(4). E quando não tratados aumentam os riscos da gestante se expor a tabaco e álcool, ao risco de desnutrição e a dificuldade de seguir orientações médicas no pré-natal(5).

Em relação às alterações que ocorrem com mais frequência nas gestantes, todas as enfermeiras percebem com mais frequência náusas e vômito durante toda gestação, seguido de alterações de apetite (91,7%) e ansiedade (91,7%) – Tabela 2.

A literatura elucida que os transtornos e sintomas psiquiátricos são mais comuns no primeiro e no terceiro trimestres de gestação, tendo as diversas dimensões da gravidez/maternidade e alterações hormonais envolvimento com os fatores desta alta prevalência. Pois drante a gravidez, a mulher também apresenta alta incidência de alterações metabólicas como diabete gestacional, anemia, disfunção tireoidiana, além de instabilidade de humor e ansiedade e esses quadros podem ser responsáveis por transtornos mentais a eles secundários. Porém, em muitos casos, o diagnóstico é dificultado pela sobreposição de sintomas entre gravidez normal e a depressão, que são fadiga, insônia, alterações do apetite e perda de energia, alterações de sono, peso e libido. Enquanto que os sinais como tristeza invasiva, desespero, crises de choro e ideação suicida funcionam como alerta para detectar situações de depressão na gravidez(5,11).

 

  • Tabela 3 – Fatores de Risco e Sinais e Sintomas – Abreu de Lima – 2013

 

Variáveis n %
No pré-natal costuma orientar sobre os fatores de risco que estão relacionados às alterações psicológicas no período gestacional
Sim 9 75,0
Não 2 16,7
Não respondeu 1 8,3
Fatores de risco podem estar relacionados à alterações psicológicas na gestação
Ter idade inferior a 16 anos 10 83,3
Ter muitos filhos 5 41,7
História de transtorno psiquiátrico prévio 8 66,7
História de transtorno psiquiátrico na família 5 41,7
Eventos estressantes experimentados nos últimos 12 meses 5 41,7
Conflitos conjugais 12 100,0
Violência doméstica ou conflito familiar 10 83,3
Abuso sexual na infância 7 58,3
Ser solteira ou divorciada 8 66,7
Estar desempregada (a gestante ou seu cônjuge) 9 75,0
Apresentar pouco suporte social 6 50,0
Gravidez não planejada 8 66,7
Gravidez não desejada ou não aceita 12 100,0
Gravidez na adolescência 9 75,0
Gravidez de alto risco 7 58,3
Malformação do bebê detectada durante a gravidez 10 83,3
Abuso de substâncias/ tabagismo 7 58,3
Morte de um familiar próximo ou pessoa afetivamente significante, durante a gravidez 4 33,3
Sinais(s) e sintoma(s) poderia(m) indicar que a gestante possa estar necessitando de acompanhamento psicológico
Irritabilidade frequente 11 91,7
Alterações do sono 3 25,0
Alterações do apetite 1 8,3
Náuseas e vômitos durante toda gestação 3 25,0
Tristeza frequente 2 16,7
Crises de choro 11 91,7
Indiferença à gestação 10 83,3
Ideação suicida 11 91,7
Ambivalência afetiva 5 41,7
Outros 1 8,3

Segundo a percepção dos enfermeiros, os fatores de risco relacionados às alterações psicológicas na gestação são conflitos conjugais (100%), gravidez não desejada ou não aceita (100%), ter idade inferior a 16 anos (83,3%), violência doméstica ou conflito familiar (83,3%) e malformação do bebê detectada durante a gravidez (83,3%). Um percentual de 75% da amostra afirma realizar orientações sobre os fatores de risco que se relacionam às alterações psicológicas na gestação – Tabela 3.  

No que se refere à gestação, pode-se dizer que, mesmo quando desejada, ela é sempre fonte de estresse, porém considera-se fatores de risco na etiologia da depressão na gravidez: pertencer a estratos econômico-educacionais mais baixos; desemprego; ser mãe solteira e jovem; histórias familiar e pessoal de transtornos do humor ou ansiedade; eventos de vida negativos; conflitos conjugais; dificuldade nos relacionamentos interpessoais; falta de apoio social; ambivalência sobre a gestação; gravidez precoce ou indesejada e abortos(5,12). Em estudo científico realizado com amostra de 449 gestantes, todas relataram ocorrência de pelo menos um evento estressor durante os 12 mesmes anteriores à entrevista (média= 5 eventos por gestantes), com maior frequência para eventos relacionados à saúde (99,1%), seguidos dos eventos família e sociedade (51%), relações conjugais (48,6%) e finanças (42,1%). Porém ao analisar cada evento estressor isoladamente, o estudo revelou que “gravidez indesejada” foi o mais frequente (60,58%)(13).  

A respeito da observação dos sinais e sintomas mais relacionados à necessidade da gestante ter acompanhamento psicológico, 91,7% afirmaram como mais presente a irritabilidade frequente, seguido de crises de choro (91,7%), ideação suicída (91,7%) e indiferença à gestação (83,3%) – Tabela 3.

 

  • Tabela 4 – Frequência de Transtornos Mentais e Acompanhamento Psicológico  – Abreu de Lima – 2013

 

Variáveis n %
Na sua prática, qual a frequência de transtornos mentais na gestação
Nenhuma 3 25,0
Muito baixa 4 33,3
Baixa 2 16,7
Alta 3 25,0
Muito alta 0 0,0
Na sua prática, quais os transtornos mentais associados à gestação
Ansiedade Generalizada 7 58,3
Depressão 9 75,0
Anorexia 1 8,3
Bulimia Nervosa 0 0,0
Transtorno Obsessivo- Compulsivo 1 8,3
Transtorno do pânico 3 25,0
Esquizofrenia 0 0,0
Psicose 2 16,7
Considera importante um apoio emocional por parte da ESF à gestante durante o período do pré-natal
Sim 12 100,0
Não 0 0,0
O acompanhamento psicológico poderia auxiliar na prevenção de parto prematuro e baixo peso em bebê
Sim 9 75,0
Não 3 25,0

Em relação à frequência de transtornos mentais na gestação,  33,3% dos enfermeiros percebem como muito baixa, enquanto 25% diz que a frequência é alta e outros 25% refere nenhuma frequência – Tabela 4.  Esta maior frequência de 33,3 apresenta-se como resultado inferior aos 41,4% descritos em estudo realizado com uma amostra de 1.267 gestantes, onde evidenciou-se também, que quanto menor a auto-estima da grávida maior a probabilidade dela apresentar transtornos mentais (14).

Conforme o esperado, a depressão foi o transtorno mental mais prevalente associado à gestação (75%) seguido de ansiedade generalizada (58,3%) e transtorno de pânico (25%), estando em concordância com a literatura,  que têm sugerido a  alta incidência de transtornos do humor, com sintomas depressivos durante a gravidez (70%), sendo que 10 a 16% destes preenchem critérios para o diagnóstico de depressão. Porém os quadros depressivos durante a gravidez são subdiagnosticados e pouco tratados, quando tratados, existe o risco de interrupção de tratamento implicar maior riscos de recaídas e surgimento de quadros psiquiátricos puerperais. Enquanto que quadros não tratados aumentam o risco da gestante se expor a tabaco e álcool, ao risco de desnutrição e a dificuldade de seguir orientações médicas no pré-natal, prejudicando o bom andamento do acompanhamento(5). Em pesquisa realizada com uma amostra de 712 gestantes, identificou que o diagnóstico mais prevalente foi transtorno depressivo maior (21,6%), seguido pelo transtorno de ansiedade generalizada (19,8%) e transtorno do pânico (9,3). E dentre as 297 gestantes com provável diagnóstico psiquiátrico, 42,4% apresentavam comorbidade, ou seja, dois ou mais diagnósticos psiquiátricos concomitantes(2).

Todas entrevistadas consideram importante um apoio emocional por parte da ESF à gestante. E 75% da amostra acredita que o acompanhamento psicológico poderia auxiliar na prevenção de parto prematuro e baixo peso em bebê. Neste sentido, Wilheim(15) afirma que perturbações emocionais maternas  repercutem sobre o estado neurofisiológico/ estado emocinal do feto. Na literatura científica encontramos associação entre depressão durante o período gestacional e baixo peso ao nascer, prematuridade, além de prejuízos do desenvolvimento infantil. A depressão durante o terceiro trimestre de gravidez está associada ao maior risco de baixo peso ao nascer na população de baixa renda e independe dos efeitos do estado nutricional materno(16).   

 

  • Tabela 5 – Atuação do Psicólogo no Pré-Natal – Abreu de Lima – 2013

 

Variáveis n %
Possui serviço de psicologia para o qual possa realizar encaminhamentos necessários
Sim 12 100,0
Não 0 0,0
Costuma encaminhar a gestante para uma consulta ao psicólogo
Sim 11 91,7
Não 1 8,3
A atuação do psicólogo no serviço pré-natal seria imprescindível
Sim 12 100,0
Não 0 0,0
Entre todos os assuntos relativos ao pré-natal, qual a importância do acompanhamento psicológico para o desenvolvimento saudável da gestação
Nenhuma prioridade 0 0,0
Baixa prioridade 0 0,0
Prioridade moderada 3 25,0
Alta prioridade 6 50,0
Prioridade muito alta 3 25,0
O acompanhamento psicológico no pré-natal reduziria os riscos de depressão pós-parto
Sim 12 100,0
Não 0 0,0

De acordo com toda amostra pesquisada, as USF relacionadas possuem serviço de psicologia para o qual podem realizar encaminhamentos necessários e  91,7% costuma  encaminhar a gestante para o psicólogo. Todas as enfermeiras consideraram  a atuação do psicólogo no serviço pré-natal imprescindível e acreditam que o acompanhamento psicológico no pré-natal reduziria os riscos de depressão pós-parto.  E entre todos os assuntos relativos ao pré-natal, 50% das enfermeiras percebem o  acompanhamento psicológico como alta prioridade para o desenvolvimento saudável da gestação -Tabela 5.

Neste sentido, um dos objetivos básicos da assistência pré-natal é assistir psicologicamente a gestante, além de orientar sobre hábitos de vida, prepará-la para a maternidade, evitar uso indevido de medicação e de medidas que se tornem prejudiciais ao concepto. Tratar distúrbios habituais da gravidez e fazer profilaxia, diagnóstico e tratamento das doenças da gestação ou nela intercontinentes(17).

Levando em consideração os resultados positivos apresentados na literatura com relação ao acompanhamento psicológico no pré-natal, pode configurar-se como um espaço de apoio às mulheres, pois media a comunicação e a interação entre casal, família e equipe médica, apresentando-se como um espaço de acolhimento importante em um momento de vulnerabilidade emocional(18). De acordo com estudo científico com amostra de 103 gestantes, houve queda de 84% para 40,9% na prevalência de transtornos afetivos após participação em grupos educativos multiprofissionais no pré-natal(10). Tais resultados evidenciam propostas de assistência pré-natal que diferem do  modelo medicalizado, partindo de uma perspectiva construtivista, que considera a saúde mental das gestantes e entendem que é importante a dimenção simbólica da experiência de estar grávida e percebe a indissociabilidade das dimensões biológica, psíquica e cultural(19).

 

Considerações Finais

  1. Pode-se concluir que os participantes do estudo percebem que a gravidez pode determinar alterações psicológicas na gestante e que a condicão psicológica materna pode influenciar o feto. O impacto destas alterações no percursso de uma gestação foi considerado alto e portanto realizam orientação acerca de alterações emocionais neste período. Costumam realizar encaminhamentos para o psicólogo e consideram imprescindível o acompanhamento deste profissional no pré-natal.
  2. Ressalta-se a importância de maior atuação interdisciplinar entre médicos, enfermeiros, e psicólogos no acompanhamento da gestante, de forma a garantir que o pré-natal se constitua um período profícuo de promoção de saúde integral e prevenção de adoecimento mental, no ciclo gravídico puerperal, a fim de diminuir e evitar os riscos à saúde materno-infantil. Considerando a realidade de saúde pública nacional, o conhecimento de tais fatores é de extrema importância e sugere-se novos estudos a fim de melhor investigar a percepção.

 
artigo da Psicóloga Renata Cândido (Psicóloga pós-graduada em Saúde Coletiva, com
ênfase na atenção básica, com experiência na área social, de saúde coletiva e psicoterapia
clínica)

A Atitude Terapêutica no enfrentamento das incertezas relacionadas ao processo de morte

Tema de várias discussões entre psicólogos, tanto a prática clínica quanto a hospitalar requer uma atitude terapêutica diferenciada para a abordagem com o paciente terminal e pessoas próximas a ele, pois, ainda observamos que o processo de morte costuma ser rodeado de mitos e dúvidas que levam à evitação do contato com a possibilidade de sua finitude e da finitude do outro.

Apesar de ser um fenômeno inerente à existência, sua negação traz consigo uma legitimação de valores negativos, fazendo com que expressar uma dor em grande dimensão desperte certa repugnância e desejo de afastamento, por ser ainda considerado como um comportamento mórbido decorrente de um distúrbio mental ou falta de educação. O medo desse julgamento culmina na insegurança em expressar sentimentos diante do outro e consequentemente na escolha de momentos solitários para vivenciar os lutos. Assim, é natural que ele se faça figura durante o atendimento psicológico especialmente se, associado a isso, as pessoas já estiverem vivendo em um nível de desgaste excessivo, como o enfrentamento de um longo período de adoecimento.

O paciente em fase terminal acusa claramente que a morte, embora seja muitas vezes negada, continua existindo e não pode ser evitada e que todos somos seres mortais e passíveis de estar nesta mesma situação, porém, dentro do ambiente hospitalar, ainda vigora a crença e a cobrança de que o tratamento seja infalível havendo muitas vezes uma busca por técnicas e tratamentos mais avançados que possam prolongar o tempo de vida do paciente e evitar a dor de uma perda.

Esta luta contra a morte muitas vezes não é trazida como sendo desejo do paciente, e dificilmente sua opinião é considerada diante das decisões acerca do tipo de tratamento a ser adotado. O apoio de familiares e profissionais no ambiente hospitalar, e a consideração dos desejos do paciente podem interferir diretamente em seu estado e na forma como este enfrentará sua enfermidade, o tratamento e a iminência de morte.

Entrar em contato com o paciente fora de possibilidade terapêuticas requer, do psicólogo, uma compreensão que torna a contextualização imprescindível para entender o ser humano e seus problemas, sua singularidade, originalidade e experiência individual. Por esse motivo faz-se necessária a compreensão holística do ser humano, na qual considera-se o homem como parte de uma totalidade mais ampla e complexa, um ser-no-mundo, ou seja, ser relacional dotado de singularidades, que modifica o meio em que vive ao mesmo tempo em que se adapta a ele. Nesse processo está implicada a interação com as outras pessoas e com o meio ambiente, bem como as necessidades biológicas (sede, sono, fome, sexo) e as necessidades psicológicas (sentimentos e desejos).

Em seu livro Sobre a Morte e o Morrer, Kübler-Ross enfatiza que o paciente em fase terminal apresenta necessidades especiais e muitos preocupam-se com situações inacabadas, pendências, temores, conflitos não resolvidos, sentimentos de culpa, desejos reprimidos, tornando imprescindível que tenhamos consciência da singularidade de cada paciente e de nossa própria finitude a fim de conseguirmos atendê-lo. Sedo assim, é necessário que o profissional tenha maturidade e disponibilidade para realmente encontrar-se com o outro. A relação terapêutica apoiada na atitude dialógica que valoriza a dimensão relacional da existência, a alteridade e a expressão completa dos sentimentos, pode auxiliar o paciente a encontrar um ambiente propício para assumir sua própria vida e enfrentar os desafios que surgirem.

Diante de tal complexidade podemos perceber que entrar em contato com a finitude da vida humana, em especial com a própria finitude, requer do profissional de psicologia uma postura reflexiva que englobe sua noção de sujeito e de mundo, e questões existenciais em seu aspecto mais subjetivo.

Texto escrito pela psicóloga do Ecxistir, Marcela Mélo, que aborda questões referentes ao enfrentamento do luto.

Poiesis Fenomenológico

Saúde?
Doença?
Relativismo?
Causalidade?
Verdade?
Revelar. Re-velar.
Faz sentido para mim, para você, para nós?
Essência.
Eu e Tu.
Mais do que isso: relação.
O que vem primeiro?
Não ser? Ser?
Ser? Não ser?
“Por quê” versus “Para quê”.
Viver/experienciar em relação?
Psicoterapeutizar?
Entrar em suspensão.
Colocar entre parênteses.
Estar suficientemente presente.
Ser com o outro.
Tocar de pessoa para pessoa, em busca de sentido.
Passado?
Presente?
Futuro?
Significante sentido vivencial da experiência,
com todo seu encadeamento de emoções, sensações, lembranças evocadas.
Destino?
Opção existencial?
Existencialidade.
Finitude?
Infinitude?
Angústia.
Liberdade.
Ufa! Que angústia!
É preciso permitir-se aproximar-se, experienciar-se na angústia desconcertante, desestruturante, inquietante, mo-bi-li-zan-te.
É necessário desconstruir, quebrar conceitos, paradigmas, certezas;
Deixar fluir o pensamento livre que revela possibilidades;
Olhar de forma crítica e criativa,
oportunizando crescimento, enriquecimento, construção, re-construção.
A minha/sua verdade revela sentido no entre nós.
Na sua/minha presença inteira, intensa, intrigante, provocadora.
E, no campo fértil onde a relação se desenrola,
deixar a “letra morta” por detrás da porta
e, unicamente, ser.

Wanessa Melo Oliveira

psicóloga da Divisão de Assistência Psicológica da Polícia Civil de Pernambuco, contato: Wanessa_crismelo@hotmail.com

Autonomia: um indício de qualidade de vida na terceira idade

Prezados leitores, gostaria de iniciar provocando-lhes uma reflexão. Qual importância que autonomia tem em suas vidas atualmente? Para tornar mais claro, citarei aqui uma descrição desse termo: capacidade de conduzir a vida, ou “estabelecer suas próprias leis” segundo a origem grega. Pois bem… imaginem-se, por algum motivo, incapacitados de realizar atividades como gerenciar a casa, trabalhar, locomover-se na cidade, gerenciar todos os problemas cotidianos, pagar as contas… ou até as atividades mais básicas como alimentar-se e tomar banho. Uma breve reflexão já pode nos proporcionar a consciência da imensa importância desse aspecto em nossas vidas.

A perda da autonomia e da independência é uma das coisas que mais assombra e influencia indivíduos na terceira idade, pois, naturalmente fica mais provável que durante a velhice venhamos a perder a capacidade de realizar o que antes fazíamos com facilidade. Claro que isso é totalmente variável de indivíduo para indivíduo. Alguns permanecem conscientes e independentes até o fim da vida em uma idade avançada, enquanto outros enfrentam reais dificuldades. Porque isso ocorre? Fatores genéticos, fisiológicos e culturais, além do estilo de vida podem justificar a diferença entre diferentes pessoas.

O processo natural do envelhecimento envolve inúmeras transformações biológicas inerentes aos organismos que ocorrem de maneira gradativa e envolve declínios musculares, cardiorrespiratórios e sensoriais. Na pratica, podemos observar uma provável dificuldade de locomoção, baixa resistência física, redução da agilidade mental, menor acuidade visual e percepção auditiva, entre outros.

Considerando as mudanças que ocorrem nesse processo do envelhecer – que pode ser um envelhecimento normal (com os declínios esperados desse processo que compõe nosso ciclo de vida) – ou patológico (com o acometimento de doenças), sugiro algumas formas de lidar ou antecipar-se a isso: prevenção e adaptação.

Para falar em prevenção, citarei algumas causas comuns de incapacidade na terceira idade: Quedas (predominantemente a maior causa de incapacidade), doenças articulares, doenças cardiovasculares e suas consequências, doenças crônico-degenerativas (como as demências), déficits sensoriais (como surdez e baixa visão), entre outros.

A queda, bem como a dificuldade de mobilidade, geralmente está ligada ao declínio da força muscular, perda de reflexos e redução da capacidade visual. A prevenção se dá na prática regular de atividade física, que vai proporcionar não só o fortalecimento muscular e melhora do condicionamento físico, mas também a melhor consciência corporal, estimulando ainda melhora os reflexos. Monitoramento da acuidade visual, com visitas regulares ao médico especialista também contribui bastante.

Posso sugerir ainda como prevenção às quedas, a atenção especial ao ambiente onde se circula. Ambientes com pisos irregulares, degraus altos, ausência de corrimão e barras de apoio, excesso de barreiras (leia-se muitos objetos e moveis espalhados no domicilio) se tornam perigosos para um idoso com alguma dificuldade de mobilidade. Para este mesmo idoso, pode ser necessário um dispositivo de apoio à mobilidade, como bengala ou andador. Sugiro a avaliação de um profissional especializado para identificar a necessidade especifica de cada indivíduo.

Sugiro também como prevenção a doenças altamente incapacitantes, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC), o monitoramento clinico, da alimentação e de hábitos de vida.

Em relação a doenças neurodegenerativas, como a demência de Alzheimer, existe a duvida: Há como prevenir? Não conseguimos falar definitivamente em prevenção à doença, mas em melhorar a nossa resposta a ela, e reduzir o prejuízo desta. Sabemos hoje da chamada reserva cognitiva (RC) que é, segundo publicação de Stern (2006) “a capacidade do cérebro de armazenar por períodos prolongados as habilidades que foram adquiridas ao longo da vida e de resistir aos prejuízos de um quadro demencial, evitando o surgimento de sintomas clínicos significativos no início da doença.” Sabe-se que as doenças neurodegenerativas são progressivas; no entanto a RC permite que o progresso da doença seja bem mais lento do que o habitual.

Há hipóteses que a RC está relacionada a escolaridade, bem como com o tipo de trabalho e atividades que a pessoa desenvolveu ao longo da vida, e com o quanto essa pessoa se expôs a situações desafiadoras. Sendo assim, devemos desde cedo buscar levar uma vida ativa e produtiva, com o máximo de atividades que nos desafiem e nos estimulem.

Sugiro que, quando houver alguma dificuldade que impeça o desempenho satisfatório em alguma atividade diária, seja consultado um Terapeuta Ocupacional. Ele é um profissional qualificado para tratar, prevenir e orientar sobre as disfunções com dependência nas atividades de vida diária, de lazer e produtivas, e irá avaliar o perfil funcional e estimular o que for necessário para a melhora, prevenção e adaptação do indivíduo em suas atividades.

Por fim, esclareço que meu objetivo é despertar a atenção para um fator tão importante para todos: A capacidade de exercer as nossas atividades diárias, produtivas e de lazer, além da possibilidade de tomar decisões e resolver nossos próprios problemas. Nossa autonomia está ligada diretamente ao bem estar e qualidade de vida. Devemos nos atentar à prevenção e tratamento desta.

GABRIELA COSTA GUEDES
-Terapeuta Ocupacional Graduada pela UFPE;
Especialista em Neuropsicologia pela Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS-IMIP); e
Atualmente atende em clinica e domicílios localizados na cidade de Recife – PE.

Graduada pela Universidade Federal de Pernambuco, especialista em Neuropsicologia pela Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS-IMIP), a terapeuta ocupacional Gabriela Costa Guedes atualmente atende em clinica e domicílios localizados na cidade de Recife – PE.
Contato: (81)92469068 | gabrielacguedes@gmail.com

Homens não nasceram pra parir!

A dor do parto: não senti. Não levei pontos. Não passei horas com fortes contrações. O bico do meu peito não vai fissurar. Aquela dor estranha quando o bebê suga forte o leite? Tenho nem idéia. Meus seios não crescem nem ficam doendo. Se o bebê não mamar, não me sinto culpado, e mais, não serei julgado. Posso pagar uma enfermeira pra de madrugada ajudar na amamentação enquanto eu durmo. Para mim é tudo mais fácil. Eu não nasci pra parir.

E a filha nasceu. E as perguntas deles e delas são:

“Mas tu ajuda né? Põe pra arrotar? Limpa bumbum e troca a fralda?”

A mulher não precisa de ajuda. Ela precisa do seu parceiro sendo pai da criança, não ocupando um cargo temporário. Você ajuda em algo que só pertence a ela como cortar as unhas dos seus pés. Mas o filho, a casa, as tarefas pertencem aos dois! Então não é ajuda, é a sua parte da obrigação que deve ser feita. Limpar cocô, álcool 70 no umbigo, arrotar, preparar sonda, ordenhar, acalmar o chôro (da bebê e da mãe), preparar comida, trazer água enquanto amamenta, lembrar ou tomar a frente das tarefas da mãe como pagar contas, lembrar que Ela precisa escovar os dentes, tomar um banho quente para relaxar, deitar e dormir sempre que pode, namorar quando ela estiver disposta. É O MÍNIMO!

Se acha que está fazendo muito, ponha-se no lugar dela. Nós, homens, não aguentaríamos nem uma semana. Ter uma filha é maravilhoso. E eu escolhi viver a paternidade de fato. Tudo que estiver ao meu alcance, farei. Mas não pode ser como coadjuvante.

Homens não nasceram pra parir.”

Jéfter Campos
Educador físico
Sócio/Diretor Unic Espaço de Metas
Sócio/Diretor Ortta Saladeria
(81) 9.9254-7149